Resenha de O Mulato, de Aluísio Azevedo

Resolvi ler O Mulato, de Aluísio Azevedo, após encontrá-lo no catálogo de uma livraria virtual enquanto decidia minha próxima leitura.

Fiquei bastante curiosa com a sinopse deste clássico da literatura nacional, além de que, até então, nunca tinha lido nada do autor, sendo que este foi o seu segundo romance publicado.

Decidi conhecê-lo começando justamente com essa obra que, diga-se de passagem, foi a que promoveu o início do naturalismo em território nacional.

O Mulato, de Aluísio Azevedo

Quem foi Aluísio Azevedo?

O escritor, diplomata, desenhista e jornalista maranhense Aluísio Tancredo Gonçalves de Azevedo, conhecido simplesmente como Aluísio Azevedo, nasceu na cidade de São Luís em 1857.

Fortemente influenciado por autores como o francês Émile Zola e o português Eça de Queirós, Aluísio foi um dos principais representantes do romance naturalista no Brasil.

Autor de livros como O Mulato, O Cortiço e Casa de Pensão, este escritor também atuou como diplomata em vários países, sendo alguns deles a Espanha, Itália, Japão e Argentina.

Membro da Academia Brasileira de Letras (4ª cadeira), Aluísio faleceu no ano de 1913, em Buenos Aires, enquanto vivia na capital argentina com sua esposa e dois filhos.

Aluísio Azevedo
Aluísio Azevedo, autor de O Mulato

Naturalismo

Antes de falar do livro em si, cabe entendermos melhor o que foi, afinal de contas, o chamado Naturalismo.

Trata-se de um movimento que, muitas vezes, se confunde com o realismo, pois os dois apresentam características semelhantes: estão relacionados à percepção da realidade.

No entanto, o naturalismo se difere por mostrar o homem como produto do meio em que vive, abrangendo problemas e aspectos sociais, além de prestar maior atenção no comportamento de cada personagem.

Podemos dizer que a grande maioria dos temas explorados por esse movimento são obscuros e até polêmicos, fazendo, dessa forma, uma espécie de oposição ao romantismo que predominava na época.

Resumo e Análise de O Mulato, de Aluísio Azevedo

O Mulato, de Aluísio Azevedo, publicado em 1881, nos conta a história de Raimundo: bastardo e mulato que desconhece suas origens.

Depois de passar longos anos estudando no exterior, este decide retornar a São Luís, capital do Maranhão, com o objetivo de vender alguns bens e se estabelecer no Rio de Janeiro.

Raimundo apaixona-se por Ana Rosa, sua prima, e não consegue entender o motivo de todo preconceito que sofre, diversas vezes, na sociedade maranhense.

O Mulato traz fortes críticas e reflexões sobre temas que, infelizmente, ainda são deveras atuais na nossa sociedade.

É notório percebermos o interesse do escritor em escancarar o preconceito racial, os males da escravidão e a corrupção clerical.

Mesmo hoje em dia, fiquei bastante surpresa pelo fato do grande vilão do romance ser o cônego.

Nesse aspecto, pensando no contexto da época, fica fácil imaginar o motivo pelo qual este livro desagradou tantas pessoas na sociedade maranhense.

Foi graças a obra O Mulato que Aluísio recebeu, por exemplo, a alcunha de “Satanás da cidade”.

Apesar de ainda termos alguns elementos mais românticos (especialmente naquilo que diz respeito ao personagem de Raimundo), a maldade permeia do início ao fim, sendo que os personagens que usam desta, saem glorificados.

Ficamos, então, com a crua e dura realidade que ainda enfrentamos: onde reinam o interesse, a ambição desmedida, a ignorância do ser humano, a falsa moralidade e, claro, o preconceito.

Conclusão

Embora a leitura seja um pouco enfadonha pela típica linguagem coloquial e longas descrições, a história do livro O Mulato, de Aluísio Azevedo, é bastante interessante e consegue prender o leitor.

Devorei as páginas e torci, arduamente, pelo Raimundo. Com certeza lerei outros trabalhos desse mesmo autor no futuro.


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