Resenha de Angústia, de Graciliano Ramos

No artigo de hoje vamos conversar sobre Angústia, de Graciliano Ramos, um dos principais livros brasileiros do século XX.

Angústia, de Graciliano Ramos
Angústia, de Graciliano Ramos

Graciliano Ramos provavelmente desperta o medo de muita gente que, assim como eu, foi obrigada a ler Vidas Secas ainda muito jovem no colégio.

Porém, decidi dar uma chance a esse escritor tão prestigiado lendo S. Bernardo, seu segundo romance, publicado em 1934. No caso, este livro fala sobre a história de Paulo Honório (contada por ele mesmo), um homem simples mas ambicioso que por meio de todo tipo de atitude torna-se um grande fazendeiro do sertão.

Todavia, confesso que foi com ‘’Angústia’’ que Graciliano arrebatou meu coração de leitora. Se na época do seu lançamento a obra foi ignorada pela crítica, hoje permeia entre um dos maiores trabalhos da literatura brasileira. Este romance, de pouco mais de 300 páginas, foi publicado pela primeira vez no ano de 1936 pela editora José Olympio.

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Sobre o livro Angústia, de Graciliano Ramos

Em Angústia, de Graciliano Ramos, temos novamente mais uma história narrada em primeira pessoa, dessa vez pelo personagem Luís da Silva: um funcionário público com seus 30 e poucos anos, solitário e numa situação financeira ruim mas, ao menos, estável.

Ao conhecer Marina, sua nova vizinha, apaixona-se e numa busca de agradar a amada, acaba se afundando em dívidas e empréstimos.

Capa Primeira Edição Angústia de Graciliano Ramos
Primeira edição de Angústia, de Graciliano Ramos

Ele a pede em casamento mas a moça acaba por abandoná-lo, trocando-o por outro, um certo Julião Tavares. Proveniente de uma família rica e de comerciantes bem sucedidos, Julião consegue comprar tudo que a menina deseja: jóias, roupas, jantares e passeios.

Este fato acaba por revirar e perturbar profundamente a vida de Luís, transformando seus dias num verdadeiro pesadelo cada vez mais alucinado.

Análise do livro

Inicialmente, podemos sentir certo estranhamento ao ler a obra, tanto devido ao chamado fluxo de consciência, quanto por causa do seu ritmo frenético e acelerado.

Luís, envolto em seus sentimentos de desgosto, acaba por sempre misturar fatos do passado com situações do momento presente.

Contado como num monólogo interior, estamos inseridos na cabeça do personagem em sua forma mais íntima possível, ou seja, através de seus pensamentos.

Levando em consideração o contexto histórico e social da época, é possível encontrarmos simbologias referentes às relações sociais e, principalmente, a corrente filosófica / literária do existencialismo.

Por isso, é comum compararmos Angústia, de Graciliano Ramos, com livros como “Crime e Castigo” e “Memórias do Subsolo“, ambos do escritor russo Fiódor Dostoiévski.

Em todos estes casos existe angústia, opressão, o medo de ser capturado, a febre. Nesse aspecto, podemos dizer que a presente obra de Graciliano é capaz, inclusive, de causar uma certa sensação de mal estar no leitor que decidir mergulhar nesse relato.

Também é possível perceber semelhanças de Angústia com o naturalismo brasileiro de Aluísio Azevedo (confira a resenha de O Mulato), principalmente pela “animalização” do homem e por mostrar que o indivíduo é determinado pelo ambiente em que está inserido. Os ratos, constantemente citados, nos revelam como o personagem principal enxerga a vida como algo frustrante e cruel.

Para finalizar, separei algumas partes do livro que, para mim, foram marcantes e lúcidas para o entendimento:

“Entro no quarto, procuro um refúgio no passado. Mas não me posso esconder inteiramente nele. Não sou o que era naquele tempo. Falta-me tranqüilidade, falta-me inocência, estou feito um molambo que a cidade puiu demais e sujou.” (Pág. 20)

“Os ratos é que me roíam a paciência. Corrote, corrote – era como se roessem qualquer coisa dentro de mim.” (Pág. 92)

“Qualquer ato que eu praticasse agitaria esses retalhos de opinião. Inútil esperar unanimidade. Um crime, uma ação boa, dá tudo no mesmo. Afinal já nem sabemos o que é bom e o que é ruim, tão embotados vivemos.”


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