Resenha de A Vegetariana, de Han Kang

Como amante da cultura asiática, sempre desejei conhecer a literatura coreana. Decidi, então, que o best-seller A Vegetariana, de Han Kang, seria meu pontapé inicial.

Posso dizer que fui bastante feliz na minha decisão.

A Vegetariana, de Han Kang
Resenha de A Vegetariana, de Han Kang

Sobre o livro A Vegetariana, de Han Kang

Temos um enredo aparentemente simples: uma mulher acorda de madrugada por causa de pesadelos violentos e, sem mais nem menos, para de consumir e cozinhar qualquer comida de origem animal.

‘’Eu tive um sonho…’’, diz Yeonghye ao marido enquanto joga no lixo os potes da geladeira que continham carne. A partir desse ponto, a história toma um rumo cada vez mais perturbador.

Engana-se quem pensa que a trama é meramente um discurso em prol do modo de vida vegetariano. Trata-se do direito de escolha de uma mulher que busca se afastar da natureza animalesca e violenta do ser humano (o que, apesar da fragilidade do corpo e da intervenção alheia, resiste).

O livro A Vegetariana é um romance pequeno, numa linguagem muito clara e de fácil entendimento, além de ser dividido em três partes e com diferentes vozes.

Nenhuma delas contém uma narrativa da própria personagem, mas sim da sua família que, por sua vez, acaba sendo lançada nesse vórtice de terror, erotismo e loucura.

Na primeira parte, o narrador é o marido. Um homem medíocre da classe média coreana que escolheu sua esposa não pelo amor e, sim, pela aparente normalidade.

Ele a descreve como alguém sem nenhum charme especial, com uma personalidade sem excepcionalidade. Compartilhamos da sua surpresa quando as ações da mesma explodem, fugindo do controle e tornando-se cada vez mais radicais.

A segunda parte, por sua vez, é narrada pelo cunhado. Chamada de ‘’A Mancha Mongólica’’, assume a parte erótica do livro.

A questão sexual é um tema recorrente na literatura do leste asiático, onde autores como Yasunari Kawabata e Jun’ichiro Tanizaki são referências nesse aspecto.

Nas páginas da escritora coreana Han Kang nos lembramos dessa tradição ao depararmos com uma obsessão sexual bizarra, com consequências inimagináveis que definem a transição da Yeonghye.

Por fim, a obra fecha com o ponto de vista da irmã mais velha. Chamada de ‘’Árvores em Chamas’’, essa terceira parte é a minha favorita.

Conhecemos um pouco dessa mulher que tenta ser responsável e não desmoronar diante de tantos problemas e receios.

A discussão sobre o que é a sanidade e loucura, juntamente com as lembranças da infância de ambas, as frustrações e arrependimentos de sua vida atual são pontos fortes, únicos e realmente sinceros.

Kafka?

Creio que outros leitores sentiram semelhanças com o clássico A Metamorfose, do aclamado escritor Franz Kafka.

Han Kang explora com perfeição esse universo ‘’kafkaniano’’, termo no qual remete a algo esquisito, exótico e de caráter surreal, situações essas que são muito presentes na obra do Kafka.

Conclusão

A Vegetariana, de Han Kang, foi responsável pelo reconhecimento mundial da autora e, inclusive, ganhou o prêmio Man Booker Prize de 2006.

Além de ser importantíssimo para a literatura sul-coreana e oriental, tornou-se um verdadeiro clássico contemporâneo.

Se você tem interesse em ler uma história diferente mas com uma prosa impactante e cheia de força, não deixe de dar uma chance ao livro A Vegetariana.


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